Membros: Nic Endo Carl Crack Alec Empire Hanin Elias Berlin, Janeiro de 1992: Alec Empire, Hanin Elias e Carl Crack do Atari Teenage Riot. Alec: “Antes de começarmos com o ATR, éramos de uma banda da cena techno underground quando ela surgiu na Alemanha. Eu fiz por volta de uns 20 EP’s lançados em vários selos, tais como Force Inc. Nós tocamos nas primeiras raves que aconteceram na Alemanha. Hanin e eu tocávamos em bandas punk mas nos entediamos com o fun punk que dominou os anos oitenta. O gênero havia perdido a mensagem política e a energia musical. Eu sempre fui ligado ao punk quando havia um significado político – as bandas americanas do começo dos anos setenta e mais tarde as bandas inglesas e alemãs do punk New Wave. Nessa cena as bandas já tinham começado a mixar punk com elementos eletrônicos – era exatamente assim o punk alemão no começo dos anos oitenta. Você também tem que entender como era Berlin naquela época. Era uma cidade ocupada pelas forças Francesas, Inglesas, Americanas e Russas, dividida por um muro que parcialmente rodeava a região oeste e tinha um status especial na Alemanha. Os cidadãos de Berlim não podiam notar nas eleições alemãs e não deveriam se apresentar ao serviço militar. Eu cresci ouvindo todos os tipos de rádios de outros países – você via todos os tipos de nacionalidades em Berlim, as famílias dos soldados e por aí vai. Nós não nos sentíamos alemães, mas sim estrangeiros. Berlim sempre teve uma grande força de esquerda, a revolução depois da 1ª Guerra Mundial, foi uma das cidades onde Hitler não ganhou as eleições, houve o movimento estudantil na década de sessenta, então os terrotistas que sobraram, como o Red Army Fraktion e Bewegung 2. Juni, o esquadrão da cena nos anos setenta até o final dos anos oitenta e muitos outros grupos revolucionários. Havia demonstrações todas as semanas quando eu era criança. No final dos anos oitenta a esquerda parecia desiludida. A maioria dos slogans políticos perdeu o impacto e o real significado. Era hora de questionar velhas teorias. Uma parte da esquerda rumou ao parliamento (The Green Party) e tentou mudar o sistema por dentro, se estabelecendo. (Mais tarde, souberam que era óbvio que esse não era o caminho a ser seguido porque, quando finalmente foram eleitos duas décadas mais tarde, eles perceberam que era impossível mudar qualquer coisa, mas ai já é outro assunto). Em compensação, o outro lado parecia não ter solução nenhuma também. Por isso que o Techno – música sem letras – eu ouvia sem parar, era tão apelador no começo. Então, o techno, quase sempre Detroit techno e o começo de Acidhouse ofereciam tantas maneiras de experimentos com som e ritmo que nós tínhamos que entrar nessa. Também, naquela época era feito com um equipamento mínimo! Nós acreditávamos que essa música, por causa do que acontecia nas gravadoras distribuídas por redes independentes, iria varrer os dinossauros do Rock e sua indústria e instrutura, o que fez essa nova música possível. Quando o muro caiu em Novembro de 1989 e a Alemanha foi reunificada, havia muitos espaços vazios na parte leste de Berlim, os quais eram tomados pela cena techno. Havia muita confusão em saber a quem pertencia aqueles espaços, na maioria estoques, então, antes dos burocratas se mudarem, as raves iam aconteciam. Os primeiros dois anos em Berlim, após o muro ter caído, foram muito criativos e poderosos. E não apenas no techno, muitos outros artistas atraídos para Berlim. Infelizmente com a Reunificação, a Alemanha havia encontrado sua identidade nacional de novo. Muito conservadora e os valores promovidos e impulsionados pela direita e pelas organizações neo-nazistas estavam crescendo de novo. No Terceiro Reich, meu avô morreu num campo de concentração, e para mim, ver todas essas idéias se tornarem cada vez mais populares novamente foi tão doloroso quanto era perigoso. O racismo estava ressurgindo – o governo conservador usava isso para mudar as leis de imigração, a imprensa usava isso para aumentar a audiência. Ataques a refugiados em abrigos, estrangeiros e todo o tipo de minoria acontecia mais e mais. Muitas pessoas foram mortas por surras de grupos skinheads, impulsionando os Neo-Nazistas. Essa foi a razão pela qual formamos o Atari Teenage Riot. A cena techno não reagiu a essa situação na Alemanha, nós não tínhamos as armas musicais para lutar contra isso. As pessoas começaram a ir à raves como uma forma de fuga, e isso era embaraçoso. Era como se as pessoas ignorassem o que estava acontecendo de errado ao seu redor. Claro que as drogas tomaram seu lugar nisso. O ecstasy estava chegando, e antes era o speed e o LSD. Nós decidimos montar a banda, que era uma contradição aos ideais technos dos DJs sem rosto ou produtores, fazendo parte da festa e do público. Nós queríamos mostrar nossos rostos, nossas personalidades e nossa opinião sobre tudo aquilo. Decidimos criar uma música que combinasse a energia do punk, hardcore e hip hop com os sons do techno e da música eletrônica. Nós havíamos vivido esses estilos por anos, éramos parte da cena e encontramos bons elementos em todas elas. Também achamos que poderíamos unir os fãs de todos esses gêneros com os pensamentos e idéias políticas certos. Eles eram divididos por regras de moda ou cortes de cabelo que haviam sido criados a maioria pela indústria ou já haviam sido absorvidos pelo mainstream. Nós formamos a banda em Janeiro de 1992 e escrevemos a faixa Atari Teenage Riot na mesma hora, como uma definição da banda. Na primavera nós tocamos nosso primeiro show com a banda americana Disposable Heroes of Hiphopcracy em Berlim. Escrevemos músicas como Start the Riot, Kids are United, Midijunkies e Speed. E então os Neo-Nazistas atacaram Rostock e Hoyerswerda. Eu acho que todos se lembram das filmagens da TV dos skinheads ateando fogo aos abrigos, a população alemã aplaudindo e a polícia apenas assistindo. Era inacreditável. Já tínhamos aguentado o bastante. Nas duas noites seguidas ao ataque, nós escrevemos Hunt Down and Kill the Nazis! Foi o primeiro single do ATR, Hetzjagd auf Nazis (persiga os nazistas) foi lançado no outono de 1992 pela Force Inc. A reação da imprensa foi de entusiasmo mas também de hostilidade, muito do que ainda acontece. Em 1993 o ATR assinou com a Phonogram, uma gracadora inglesa. A banda passou a maior parte do começo do ano gravando em Londres e lançando dois Eps (Atari Teenage Riot e Kids R United) junto com alguns DJ, em um vinil 12’. No outono e no inverno de 1993 a banda fez uma turnê extensiva na Europa até que em Janeiro de 1994 ficou claro que a Phonogram queria empurra a banda para o canto da cena techno. Logo depois disso o ATR deixou a gravadora e com um adiantamento para o lançamento de outro álbum que nunca saiu, e montamos um novo selo, Digital Hardcore Recordings. Em Agosto de 1994, o lançamento em edição limitada do single Raverbashing significou que a banda finalmente deixou de lado qualquer outro tipo de techno. A partir de então só tocávamos ao vivo com bandas como Dinosaur Jr. e bandas de rock, punk e industrial. Nesse ponto o ATR já tinha feito mais de 300 shows no mundo. Em Julho de 1995 aconteceu o lançamento do primeiro álbum do Atari Teenage Riot, Delete Yourself e do EP Speed/Midijunkies pela Digital Hardcore Recordings. Em 1996 houve turnês e gravações que culminaram, no final do ano, no lançamento do EP Sick to Death e do segundo álbum, The Future of War. A banda explodiu no Japão e o álbum tinha sido lançado em muitos países, que gerou excitação e ceticismo e confusão. Nesse ponto não havia acontecido o lançamento nos Estados Unidos, mas Chavez, guitarrista e Matt Sweeney levaram o ATR a atenção de Mike Diamond, da Grand Royal. No final de 1996, a Grand Royal lançou uma série de lps 7” de Alec Empire, Atari Teenage Riot, Shizuo e Ec8or e em seguida em 1997 o lançamento do primeiro disco do ART nos EUA, Burn, Berlin Burn. Pelo motivo de a banda ser nova nos EUA, esse álbum compilou o melhor de Delete Yourself e de The Future of War. ATR fez uma turnê com bandas como Jon Spencer Blues Explosion, Beck, Wu-Tang Clan e Rage Against the Machine. Nic Endo entrou na banda para essa turnê e acabou se tornando o quarto membro. O terceiro álbum, 60 Second Wipe Out foi lançado no mundo todo em Maio de 1999, seguido de intensa turnê. Ele apresentava os singles Revolution Action e Too Dead For Me. Dois vídeos desses singles foram dirigidos por Andréa Giaccobe e John Hillcoat respectivamente e foram aclamados e fizeram parte de uma coletânea em vídeo, a DHR. A banda juntou-se ao Nine Inch Nails em sua turnê européia e foi gravado o álbum ao vivo, ATR – Live At Brixton Academy 1999. Em Outubro de 2000, o ATR lançou o single Rage, com participação do guitarrista Tom Morello, do Rage Against the Machine. Uma versão desse single foi lançada nos EUA com um pouco mais de hip hop e vocais de D’Stroy (ex-Arsonists.)
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| "Atari Teenage Riot 60 Second Wipe Out"
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| "Atari Teenage Riot Burn, Berlin, Burn!"
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